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domingo, 19 de agosto de 2012

Carro toma quase toda a rua sem transportar nem 1/3 dos paulistanos


Editoria de Arte/Folhapress
Quanto espaço das ruas os 3,8 milhões de carros que circulam pela cidade tomam? Nos horários de pico, 78% das principais vias são dominadas pelos automóveis -dentro deles, são transportados apenas 28% dos paulistanos que optam pela locomoção sobre rodas. Enquanto isso, os ônibus de linha e fretados, com ocupação de 8% do asfalto, levam 68% das pessoas.
"Quem quer que seja o próximo prefeito, terá de olhar para esse dado, fazer uma política inteligente e tentar reduzir a desigualdade no uso das vias", diz Thiago Guimarães, especialista em mobilidade e professor da Universidade Técnica de Hamburgo, na Alemanha.


O levantamento foi feito pela reportagem com base em dados inéditos da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), obtidos com exclusividade. No quadro ao lado, é possível visualizar um retrato do trânsito na hora do rush. Trata-se da média da contagem de circulação ao longo de uma extensão total de 255 km. São as 32 rotas principais da cidade -algumas delas, com corredores de ônibus, caso das avenidas Rebouças e Santo Amaro. Depois, os veículos foram dispostos de acordo com o padrão adotado pelos engenheiros de trânsito (1 ônibus = 2 carros = 4 motos).

Segundo pesquisa do IBGE encomendada pela Rede Nossa São Paulo, no ano passado 82% dos paulistanos afirmaram que deixariam de usar o carro se tivessem uma boa alternativa de transporte público.

A Lei de Mobilidade Urbana, política federal para os transportes que entrou em vigor em abril, coloca a equidade no uso do espaço público como uma das diretrizes do planejamento. Para especialistas, criar dificuldades para os carros e facilidades para o transporte coletivo é a receita para resolver o problema crônico de trânsito da cidade.

Uma dessas dificuldades é restringir a circulação, lançando mão de medidas como o pedágio urbano e a redução de estacionamentos.


O prefeito Gilberto Kassab (PSD) já declarou que São Paulo só pode aumentar as restrições aos veículos quando tiver linhas suficientes de metrô. Ao mesmo tempo, tramita na Câmara dos Vereadores um projeto de lei que cria a cobrança.

Preconceito
Por isso, embora a solução pareça tecnicamente simples, ela se mostra mais complicada política e culturalmente. "São Paulo tem classes média e alta elitizadas que acham que o ônibus não é para elas. Que é coisa de ralé", afirma Thiago Guimarães.

Por outro lado, o serviço oferecido pelos ônibus não tem nem qualidade nem velocidade suficiente para atrair mais pessoas, afirma. A velocidade média dos ônibus nos corredores da cidade foi de cerca de 15 km/h no horário de pico em 2011.

Para Flamínio Fichmann, urbanista especializado em transportes, "diminuir, com corredores bem projetados, o tempo de viagem dos ônibus pela metade teria o mesmo efeito que dobrar a frota". Com mais eficiência, o mesmo ônibus poderia fazer mais viagens por dia, levando mais gente.

Os corredores eficientes e velozes de que falam os especialistas tomariam parte do espaço dos carros por possuírem características que atualmente não são aplicadas em conjunto na cidade: têm espaço na pista para ultrapassagem nos terminais, pagamento do bilhete antes do embarque e parte dos cruzamentos com passagem sob a pista.

Para a gerente de planejamento da CET, Daphne Savoy, "incomodidades" do transporte coletivo, como o tempo de espera pelos ônibus e as trocas de veículos nos terminais, levam à opção pelo carro, que é um transporte "porta a porta".

"O transporte coletivo nunca vai lhe pegar em casa e deixá-lo onde você quer." Além disso, diz a gerente, "em qualquer país do mundo, você não tira o carro da pessoa. É uma coisa intrínseca, um objeto de desejo de qualquer ser humano".

sábado, 18 de agosto de 2012

Inspeção Veicular Ambiental poderá ser discutida após as eleições municipais

Google Imagens
Projeto está na CCJ da Assembleia Legislativa aguardando votação A Assembleia Legislativa do Estado sedia hoje encontro que debate a Inspeção Veicular Ambiental (IVA). Aproveitando a ocasião, o programa Esfera Pública recebeu o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, Carlos Roberto Fortner; o médico patologista, coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP e membro do comitê da Organização Mundial da Saúde, Paulo Saldiva; e o assessor técnico do Departamento Estadual de Trânsito (Detran–RS), Túlio Verdi Filho.

Fortner não vê nenhuma polêmica em um programa que vai cuidar da qualidade do ar, voltado para a saúde publica, cidadania e segurança. Na cidade de São Paulo, houve uma resistência na adoção do IVA, mas hoje, segundo Fortner, as pessoas tem consciência da importância da visita anual ao Centro de Inspeção Veicular, contribuindo para melhorar a qualidade do ar que respiram e a a cidade em que vivem.

De acordo com Saldiva, a tecnologia limpa que vai nos dar energia e mobilidade infinita não existie. No entanto, ele lembrou que poluição do ar é menos do que fumar, só que no fumo, o risco se aplica ao fumante, enquanto que na poluição todos estão expostos. 

Verdi Filho afirmou que é um serviço novo a ser executado, que precisa ser cobrada e quem paga é quem polui. O projeto do IVA está na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa, com parecer favorável do seu relator, deputado Ronaldo Santini, vice-líder do governo. A expectativa do assessor técnico do Detran é de o projeto será discutido no Legislativo após as eleições municipais. Em São Paulo, o serviço de inspeção é feito por uma concessionária, que implanta todos os centros. O agendamento é feito pela internet e a inspeção dura, no máximo, 15 minutos. 

Para Saldiva, não há justificativa para tomar medidas que expõem pessoas indiscriminadamente a um risco que elas não podem optar. Verdi Filho lembrou que o programa é vinculado a um órgão ambiental do Estado, a Fepam. Parte da taxa que será cobrada vai ser destinada à fundação, que irá gerenciar o monitoramento da qualidade do ar. Para ele, as pessoas ganharão não só em relação à poluição, mas também com relação à segurança veicular.


Andrea Martins/Rádio Guaíba

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Importância da Inspeção Veicular Ambiental


Marco Antonio Vieira Machado

A qualidade do ar em Porto Alegre está entre as piores do País. É um problema sério e complexo, que tem que ser enfrentado. Com esse foco, o Sincopeças-RS promove, nesta terça-feira, Dia de Combate à Poluição, o debate “Por Um Ar Mais Limpo no Rio Grande do Sul”. O evento ocorre às 9h, na Sala da Convergência da Assembleia Legislativa. O local não foi escolhido ao acaso. Cumprindo determinação de legislação federal, tramita na Casa projeto de lei estipulando a obrigação da Inspeção Veicular Ambiental (IVA), e a aprovação mais do que recomendável, é imprescindível. O norte do nosso debate é, justamente, alertar os deputados e a comunidade para a importância do tema. Para tanto, analisaremos a realidade de São Paulo, maior cidade do País, onde a IVA trouxe melhorias à qualidade de vida da população. Lá, a inspeção está salvando vidas. Nem é preciso mencionar a redução de gastos com internações hospitalares que, em última estância, são pagas pelos cidadãos. 

Medida necessária para controlar a emissão de poluentes por veículos automotores nas grandes cidades, hoje a maior fonte de CO2 nos centros urbanos, a implementação ainda gera emprego e renda, ajudando a movimentar a economia gaúcha. Além disso, é preciso lembrar a responsabilidade de cada motorista. Possuir um veículo e utilizá-lo é um direito, e este deve ser seguido de obrigações. Devemos ser responsáveis pelo dano causado, pelo que despejamos no ar. A simples utilização de um veículo automotor polui, mal conservado polui mais ainda. Circular com automóveis em situação irregular é, antes de tudo, um ato irresponsável e egoísta. Por tudo isto, entendemos que a implantação da Inspeção Veicular Ambiental se faz necessária, e a oportunidade para debater o tema está posta terça-feira, às 9h, na Assembleia: todos por um ar mais limpo no Rio Grande do Sul!

Advogado, diretor de autopeças do Sincopeças-RS
http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=100861

domingo, 22 de julho de 2012

Poluição não é igual para todos, inspeção veicular também não deveria ser


  • Inspeção veicular em São Paulo: todo mundo faz
    Inspeção veicular em São Paulo: todo mundo faz
Ao entrar no quarto ano de inspeção técnica ambiental para toda a frota da cidade de São Paulo, pode-se afirmar que se trata de uma ação bem-sucedida. Em 2011, cerca de 3,2 milhões veículos passaram pelas linhas de inspeção, incluindo automóveis, motocicletas, caminhões e ônibus.
A partir das estatísticas da concessionária do serviço, Controlar, um mito já pode ser desfeito. A maior cidade do país está longe da frota "monstruosa" de 7 milhões de veículos que lhe é atribuída pelos dados distorcidos do Denatran. A empresa estima a evasão -- veículos antigos que poluem muito, mas rodam relativamente pouco -- em 30%. A frota real estaria, portanto, em torno de 4,5 milhões de unidades. Simplesmente, o Denatran não pondera o sucateamento natural de veículos ao impor regras complicadas ao último proprietário.
O controle da frota é fundamental para qualquer planejamento viário, análise de poluição do ar, inspeção de segurança e incidências de mortos e feridos no trânsito. Números artificialmente elevados de veículos em circulação mascaram as taxas de acidentalidade. Se o divisor fosse próximo da realidade, os 40 mil mortos por ano colocariam o Brasil em posição ainda mais vexaminosa no quadro mundial.
Hoje, apenas a cidade de São Paulo e o Estado do Rio de Janeiro fazem inspeções regulares. No segundo caso, além de emissões, há checagem de poucos itens de segurança, de forma superficial e tarifa muito cara. Uma verdadeira e confiável inspeção técnica veicular (incluindo a ambiental) ainda está esquecida no Congresso Nacional. O que existe é a obrigatoriedade de inspeção de emissões, imposta pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) a todos os Estados sob critérios discutíveis e desconectada da realidade.
Uma inspeção unificada permitiria tarifas menores e atacaria o problema maior, os riscos de acidentes por falta de controle de manutenção. Não se trata de menosprezar a qualidade do ar e seus reflexos na saúde. Clama-se por racionalidade. Afinal, São Paulo e uma cidade à beira-mar no Nordeste mostram cenários bem distintos de poluição.
A Controlar, depois de muita insistência, abriu alguns de seus números e se esforçou para tentar provar a importância de inspecionar automóveis de até três anos de uso. Em 2011, o índice de reprovação na primeira vistoria para carros fabricados em 2010 foi de ridículo 1%; em 2009, 2%; em 2008, 3%. Nesses percentuais se incluem táxis e veículos de frota que, por rodarem bastante, ficam mais sujeitos a desconformidades e devem ser inspecionados em intervalos menores.
Veículos com motor a diesel, incluídos picapes e SUVs, tiveram índices elevados de reprovação inicial: 15%, 16% e 14%, respectivamente. Motocicletas: 4%, 7% e 18% para os mesmos anos de fabricação (2010, 2009 e 2008).  As frotas problemáticas são essas e não os carros com motores a gasolina, etanol ou flex com três anos de uso. Os movidos a GNV foram os piores por falta de controle sobre a instalação de kits de adaptação. A melhora do ar na cidade ocorre com ajuda da inspeção, mas fatores atmosféricos aleatórios também influenciam.
A concessionária insiste em inspecionar carros seminovos pelo equilíbrio financeiro do seu negócio, pois a evasão é baixíssima. Se fossem dispensados, como a regra nos demais países, a renovação de frota poderia se acelerar. Haveria estímulo para troca de automóvel e se livrar, a cada ano, do maçante processo burocrático (agendamento, boleto e inspeção).
Tarifa cobrada pela Controlar baixou para R$ 44,36, mas deveria ser menor para automóveis recentes. Estes dispõem de sistema de diagnose a bordo, mais confiável e que encurta o tempo de inspeção.

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